Na terceira idade...
Hoje a Moca foi bater ponto em um dos seus programas fa-vo-ri-tos: resolver pendências no INSS.
Leitor solitário, tem que ir lá pra acreditar: o cidadão tem que chegar cedo (sim, porque depois das 10hs já se esgotaram as senhas), ficar hooooras sentado esperando chegar a sua vez (porque todo posto de atendimento do INSS que se preze tem apenas 2 atendentes), aí quando o numerinho que aparece no mostrador eletrônico corresponde àquele que está na sua mão o sistema está fora do ar (CLAROOBVIOEVIDENTE), idosos revoltados brigando com todo mundo (tá bom, tá bom... para esse eu me inspirei no meu avô)... para mais detalhes a respeito do tema favor contactar a famosa Mamãe Borges, que de tão especialista em INSS deveria escrever um manual para os desavisados.
Mas esse post nem é para ficar o tempo todo criticando a instituição não... na verdade meu tema de hoje é um gênero beeem comum nas filas-para-resolver-pendências-de-aposentadoria-e-afins: os velhinhos.
Sejam sinceros: quem aqui nunca teve que esperar numa fila chata e sentou-se ao lado de um legítimo representante da terceira idade querendo conversar?
É sério!! Eles são muito conversadores (e olha que nem é porque eu falo muito, já que em geral eles falam e a gente escuta, né?), mas muito sozinhos.
Eu acho muito triste isso: a maior parte das pessoas, envolvidas com as atribulações da vida diária, esquece dos parentes velinhos. Tem de tudo nessas histórias: filhos que mudaram para outros estados e não ligam mais, pessoas que já enterraram a família toda e nem tem para quem ligar, aqueles que foram solteirões a vida inteira e quando passaram dos 65 não tinham família... Copacabana é o bairro do Rio conm a maior concentração deles. É triiiiste de dar dó.
Mas tem uns que são peças raras: já estão no 3o ou 4o casamento, participam de grupos de terceira idade, vão a jantares dançantes, namoram e praticam esportes... e as senhoras de cabelos roxos, rosas e verdes?? Essas eu admiro muito. Quero ser que nem elas quando crescer!!
Por que eu estou falando disso? Na verdade por nenhum motivo especial... É que vi um casal de velinhos aqui perto da minha casa. Mas daqueles bem fofos, sabem? E juntos deviam somar uns 160 anos. O senhor, muito fraquinho, andava apoiando sua esposa... e eles demonstravam tanto amor e carinho um pelo outro que eu me distraí olhando e engarrafei o trânsito. Mas achei tão lindo o cavalheiro levando sua dama pelo braço, e oferecendo um apoio que ele mal está certo de ter para ela subir um degrau na calçada. E no metrô, então? Quando alguns maridos, ao perceberem um assento vago, chamam sua senhora pelo braço e a acomodam ali (sim, porque hoje em dia é raro ver um marmanjo - ou marmanja - que se digne a levantar e ceder seu lugar)... rezo para comigo ser assim.
Quando somos novos raramente pensamos na velhice. A gente sabe que um dia acontecerá, mas demora para finalmente "cair a ficha" de que um dia ficaremos mais lentos, mais fracos, mais frágeis... que não poderemos mais dirigir e ao entrarmos no ônibus vamos demorar uns 3 minutos para subir e outros 2 para mostrar a carteirinha para o motorista, enquanto os demais passageiros nos xingam em silêncio (ou não) pelos minutos perdidos.
Deve ser engraçado, para eles, olhar ao redor e ver um monte de gente os ultrapassando, apressados, preocupados com sua vida.
Espero que quando chegar à idade dos meus avós, seja como eles: sem a pressa e ansiedade que me atormentam... com a maturidade e plenitude que apenas uma vida bem vivida consegue formar... e aquele ar de quem tem muito a ensinar, se os netos sentarem por alguns minutos dispostos a aprender.
Acho que para isso tenho que prestar atenção na minha vida desde agora. Tentar vivê-la com generosidade.
É bem pior viver uma vida errada do que levar cinco minutos para embarcar no ônibus, ou vinte para dar a volta no quarteirão.

0 Comments:
Post a Comment
<< Home