Vivendo no Mundo da Lua

Wednesday, November 10, 2004

Avestruz

Às vezes eu só preciso me esconder, colocar minha cabeça debaixo da terra para ver se ela pensa melhor assim...

Não estranhem, por favor.

Porque de vez em quando tudo o que eu preciso é de mim mesma... preciso, mesmo que do meu jeito desastrado, cuidar de mim. Tentar entender essa tristeza eu às vezes tem motivo, mas muitas vezes não tem. A tristeza que deixa um vazio, como se eu simplesmente não estivesse mais lá. E por isso preciso me concentrar, e me encontrar de novo.

Mas isso é cansativo.

Para explicar o que eu não consigo, deixo aqui o trecho de um livro que recomendo, da Clarice Lispector...

"A liberdade que às vezes sentia. Não vinha de reflexões nítidas, mas de um estado como feito de percepções por demais orgânicas para serem formuladas em pensamentos. Às vezes, no fundo da sensação tremulava uma idéia que lhe dava leve consciência de sua espécie e de sua cor.
O estado para onde deslizava quando murmurava: eternidade. O próprio pensamento adquiria uma qualidade de eternidade.
Aprofundava-se magicamente e alargava-se, sem propriamente um conteúdo e uma forma, mas sem dimensões também. A impressão de que se conseguisse manter-se na sensação por mais uns instantes teria uma revelação - facilmente, como enxergar o resto do mundo apenas inclinando-se da terra para o espaço."
(Perto do Coração Selvagem, Clarice Lispector)

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