Vivendo no Mundo da Lua

Monday, October 18, 2004

Parando para pensar

Tem dias que tudo parece motivo de questionamento. Será que estamos no caminho certo? De onde viemos? Para onde vamos? Por que algumas pessoas buscam a beleza a qualquer custo? Porque outras são tão sem-noção? O que eu vou fazer quando crescer?

Não sei dar resposta para quase nada. Mas uma questão freqüente do momento, acho que consegui dissecar: "O que a gente precisa para ser feliz?" É pouco...beeeem pouco.

Nos últimos meses fiquei triste porque meu dinheiro no banco tá acabando, porque não tenho emprego e me aborrece a falta de trabalho. Porque não vou mais apresentar artigo em Madrid. Me irritei porque o carro quebrou de novo, porque tinha obra lá em casa e o barulho estava beirando o insuportável... Fiquei aborrecida em perceber a maldade que às vezes parece inerente nas pessoas, as mentiras que pessoas que não te conhecem são capazes de inventar e da falta de grana para a obra social da Igreja (e eu novamente sem poder fazer nada... juro que se fosse rica sustentava aquilo lá sozinha).

E aí bateu uma tristeza imensa... uma vontade de não levantar do sofá.

Mas, sabe? Nada disso pode ser motivo para arrancar a felicidade aqui do coração. E foi pensando assim que eu resolvi que ia me animar de novo. Sabem porquê? Andei limpando meu computador e me perdi vendo fotinhas... Tem eu aos 2 anos de coelhinha, e depois aos 5. Eu e minhas irmãs pequeninas e depois já crescidas... e vários momentos legais.

Cheguei, durante essa semana, a ter saudade da época em que as imensas preocupações da minha variavam entre como enfrentar a prova de ciências e o que pedir no Natal... quando o dia passava da seguinte\maneira: ia pra escola às 7h00 e "estudava" até 12h40. Voltava pra casa e comia qq coisa disponível (sem me preocupar com o conteúdo calórico). Assistia um pouco de TV, ia pro play encontrar a molecada e ficava por lá 17h30 - a variação eram os dias em que tinha balet (e mais tarde inglês), quando eu via TV e saía pro curso. Voltava pra casa, e ia tomar banho. Jantava, via novela, jogava video-game e dormia. Ponto. Os dias eram assim.

E eu era muito feliz. Por quê? Porque nada era complicado!! Não precisava de carro pra quebrar, o trabalho de fazer lição era engolido em questão de meia hora, e não precisava me preocupar com o que fazer (já tava planejado). Não conhecia gente mesquinha ou malvada – ou se conhecia, não identificava desse jeito.

Tudo bem, não é possível esquecer 100% das obrigações e ignorar um rombo no banco. Mas dá para equilibrar, colocando o peso correto nas coisas. Ter uma doença incurável é terrível. Não poder viajar é, no máximo, motivo para se chatear por 15 minutos e esquecer. E ganhar um hematoma é hilário! Ainda mais tendo percebido que ele se parece com uma joaninha.

Melhor encarar as chateações como se tivéssemos 8 anos.Às vezes fica meio ridículo... às vezes vão te chamar de sonsa... e àsvezes precisa de um espírito muito "Poliana" de ser...Mas tem muita gente grande merecendo um sorvete escorrendo pelo braço, um dia de preguiça na frente da TV, uma gargalhada boboca e sem motivo daquelas que fazem doer a barriga.

É pouco, não é? Mas é a resposta mais simples, eu acho. Porque vocês já pararam para pensar quanta coisa em nossa vida toma uma proporção maior do que deveria?

Eu detesto quando minha inclinação para o drama ganha do me bom senso... e ultimamente isso tem acontecido. Mas não mais.

Muitas beijocas.

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