Parando para pensar
Tem dias que tudo parece motivo de questionamento. Será que estamos no caminho certo? De onde viemos? Para onde vamos? Por que algumas pessoas buscam a beleza a qualquer custo? Porque outras são tão sem-noção? O que eu vou fazer quando crescer?
Não sei dar resposta para quase nada. Mas uma questão freqüente do momento, acho que consegui dissecar: "O que a gente precisa para ser feliz?" É pouco...beeeem pouco.
Nos últimos meses fiquei triste porque meu dinheiro no banco tá acabando, porque não tenho emprego e me aborrece a falta de trabalho. Porque não vou mais apresentar artigo em Madrid. Me irritei porque o carro quebrou de novo, porque tinha obra lá em casa e o barulho estava beirando o insuportável... Fiquei aborrecida em perceber a maldade que às vezes parece inerente nas pessoas, as mentiras que pessoas que não te conhecem são capazes de inventar e da falta de grana para a obra social da Igreja (e eu novamente sem poder fazer nada... juro que se fosse rica sustentava aquilo lá sozinha).
E aí bateu uma tristeza imensa... uma vontade de não levantar do sofá.
Mas, sabe? Nada disso pode ser motivo para arrancar a felicidade aqui do coração. E foi pensando assim que eu resolvi que ia me animar de novo. Sabem porquê? Andei limpando meu computador e me perdi vendo fotinhas... Tem eu aos 2 anos de coelhinha, e depois aos 5. Eu e minhas irmãs pequeninas e depois já crescidas... e vários momentos legais.
Cheguei, durante essa semana, a ter saudade da época em que as imensas preocupações da minha variavam entre como enfrentar a prova de ciências e o que pedir no Natal... quando o dia passava da seguinte\maneira: ia pra escola às 7h00 e "estudava" até 12h40. Voltava pra casa e comia qq coisa disponível (sem me preocupar com o conteúdo calórico). Assistia um pouco de TV, ia pro play encontrar a molecada e ficava por lá 17h30 - a variação eram os dias em que tinha balet (e mais tarde inglês), quando eu via TV e saía pro curso. Voltava pra casa, e ia tomar banho. Jantava, via novela, jogava video-game e dormia. Ponto. Os dias eram assim.
E eu era muito feliz. Por quê? Porque nada era complicado!! Não precisava de carro pra quebrar, o trabalho de fazer lição era engolido em questão de meia hora, e não precisava me preocupar com o que fazer (já tava planejado). Não conhecia gente mesquinha ou malvada – ou se conhecia, não identificava desse jeito.
Tudo bem, não é possível esquecer 100% das obrigações e ignorar um rombo no banco. Mas dá para equilibrar, colocando o peso correto nas coisas. Ter uma doença incurável é terrível. Não poder viajar é, no máximo, motivo para se chatear por 15 minutos e esquecer. E ganhar um hematoma é hilário! Ainda mais tendo percebido que ele se parece com uma joaninha.
Melhor encarar as chateações como se tivéssemos 8 anos.Às vezes fica meio ridículo... às vezes vão te chamar de sonsa... e àsvezes precisa de um espírito muito "Poliana" de ser...Mas tem muita gente grande merecendo um sorvete escorrendo pelo braço, um dia de preguiça na frente da TV, uma gargalhada boboca e sem motivo daquelas que fazem doer a barriga.
É pouco, não é? Mas é a resposta mais simples, eu acho. Porque vocês já pararam para pensar quanta coisa em nossa vida toma uma proporção maior do que deveria?
Eu detesto quando minha inclinação para o drama ganha do me bom senso... e ultimamente isso tem acontecido. Mas não mais.
Muitas beijocas.

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