Vivendo no Mundo da Lua

Monday, August 16, 2004

Eu ia escrever um último post, mas tenho que colocar esse texto aqui antes... É que no próximo eu vou me referir a ele (então é melhor colocar logo, eu acho).

Enfim, o tema do próximo post será amizade (vocês já vão entender aonde quero chegar). E quando penso em amigos, um monte de pessoas vêm à minha cabeça... tem umas pessoitas em especial que merecerão vários comentários por aqui: as meninas do Veneno. Num post ainda nessa semana eu falo do Veneno - é o grupo das minhas "amigas queridas do meu coração" que precisará de um dia inteiro e vários posts para ser mencionado, mas em homenagem à elas, coloco esse texto aqui (enquanto não falo só de vocês, ta bom, meninas?).

Tenho amigos que não sabem o quanto eles são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é umsentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se dividaem outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite arivalidade, disse José Luís Borges, e eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quantominha vida depende de suas existências. A alguns deles não procuro, basta-mesaber que eles existem. Essa mera condição me encoraja a seguir em frente pelavida. Mas porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles: eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meu amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não o declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo para a loucura ou para o suicídio.

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez,maior fruto de meu egoísmo do que por quanto eles souberam tornar-se a mim tãocaros. Mas como as duas coisas se confundem, eu alivio a minha consciência..."

Vinícius de Moraes

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